Resenha: As verdades que ela não diz

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Desde quando li Feliz ano velho, me apaixonei pelo Marcelo. Então, quando fui à livraria e vi o seu novo livro de contos e crônicas, não pensei duas vezes. Acabei lendo o livro em dois dias, me apaixonando pelo seus escritos, pela maneira como Marcelo escreve, e de novo, me apaixonando por ele.

O que comprei se chama ”As verdades que ela não diz”. É um livro que reúne os melhores contos e crônicas amorosas que ele já escreveu. Sinceramente, acho que todos deveriam ler esse livro, pelo bem da humanidade. Os contos são tão honestos, as vezes até demais, confesso. Mas Marcelo tem o poder de nos encantar a cada palavra que escreve e isso é um dom.

Além de ter sido escrito por ele, a razão pela qual comprei o livro é: Eu não tenho muitos livros de contos. Na verdade, tenho só um. E no meu curso de escrita criativa, o professor sempre pede para escrevermos contos, e eu simplesmente travo. Não leio contos e nem os escrevo. É péssimo. Então já fui à livraria com a intenção de adquirir um bom livro de contos. E quando vi ”As verdades que ela não diz” foi amor à primeira vista.

Para todos os blogueiros que falam sobre relacionamentos: Leiam esse livro, por favor. Como vocês sabem, eu gosto muito de escrever sobre amor e tudo o que vem com ele. Mas como escrevo bastante sobre isso, sempre tenho a impressão de que estou me repetindo e sendo extremamente clichê. Lendo o livro percebi que existem diversas formas de escrever sobre relacionamentos sem cometer esses deslizes. Obrigada Marcelo.

Para vocês realmente entenderem o que quero dizer, cá está um dos meus contos favoritos do texto. Só para deixar vocês com gostinho de quero mais.

“E daí que acaba

Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.

São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, em que os pombinhos nasceram um para o outro e morreriam grudados num fio eletrocutado ou numa praça poluída, na alegria e na desgraça.

Para aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e tropeçaram no degrau da separação, em que a decepção trocou de lugar com o amor, e o futuro virou poeira, não aguento mais replicar:

“Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele.”

Para aqueles que dizem não acreditar mais no amor, proponho então experimentar outros amores e apostar nesse bilhete só de ida.

Uma noite de prazer acaba.

Um banquete acaba.

Uma viagem inesquecível acaba.

O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira e uma nhá benta acabam.

Como Sísifo, não por isso evitamos outros.

Os homens?

Vou lhes dizer: amamos tanto as que nos deram à luz, nos deram intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passaram despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, vencer a vergonha, e nos inspiraram músicas, poesias, até guerras, e nos ensinaram os diversos tipos de chocolates…

Se vocês não acreditam mais, quem acreditará? Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo: “Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais.”

Trégua.

Que venham os clichês. Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada. Quer que eu apague a luz na enxaqueca? Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras COR, vencem por 2×1 as três letras PAL.

Fique na cama na TPM. Trarei uma bolsa de água quente e o jantar. Sim, vamos comprar sapatos. Eu espero. Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.

Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo. Batom vermelho te deixa mais bonita. Não, a calcinha não está marcando. Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido. Não, o sutiã não está aparecendo.

Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.

Cuido de você na velhice, não te trocarei por uma adolescente que cheira a tuttifrutti,nem pela secretária vulgar da firma, amarei a sua pele um pouco mais flácida, seus seios naturalmente instáveis, seu corpo maduro, seus joelhos frágeis. E tomaremos vinho tinto todas as noites. Prefere branco? Que celulite?

Porém a maioria de vocês conhece agora as teclas de atalho, a pressão dos pneus, sabe chamar o seguro para uma pane elétrica, e que carrinho por trás dá cartão vermelho. Tornaram-se independentes.

Pesquisa da Serasa Experian mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do país – segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo de mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres ”ricas” somam cerca de um milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.

E nós. Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou, enquanto o de casamentos formais de papel passado caiu 12%.

O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman? “Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?”, pergunta.

Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo, a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.

Desistimos da sede pelo amor?

Não, mulher não é o apêndice do homem, mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser. Não nos deixem desamparados. E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.

Amar ainda é a única maneira de convivermos com a sua delicadeza e alimentar nossa vocação de proteger e cuidar. Não façam do homem uma noite sem vento, um mundo sem gravidade. Parecemos tolos e infantis, controladores e insensíveis. Mas as amamos tanto…

Acaba mesmo?

Comece outro.

Antes que a amargura substitua o brilho dos seus olhos.

E a pieguice, a rima e as metáforas sejam extintas.”

Gostaram? Tem para comprar aqui.

Resenha: The Life of Pi

Ultimamente eu ando tentando ler os livros antes de ver os filmes. E isso gera um grande impasse porque, hoje em dia, a maioria dos filmes são baseados em livros. E eu sou completamente cinéfila. Então não poder ver os filmes enquanto não leio os livros é realmente uma tortura. Eu já baixei tudinho no meu computador, mas, infelizmente ainda não vi On the Road, Anna Karenina, Les Miserables, dentre outros. Mas, finalmente, consegui ler The Life of Pi. E logo que terminei, fui correndo ver o filme. Então, essa vai ser uma resenha de livro e filme. Ok?

O livro.

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Logo que vi o livro nas Lojas Americanas, comprei na hora. E o li muito rápido. Não é um livro prazeroso de ser lido, confesso. É agonizante. Dá uma sensação ruim no estômago e vontade de largar o livro. As descrições são aterrorizantes. E você passa a se perguntar como alguém consegue sobreviver nessas circunstâncias. Mas eu fui corajosa, e mesmo quase tendo um ataque de pânico quando os tubarões apareciam, e sentindo um enjoo quando ele descreve a falta de água e os meios que ele lutava para consegui-la, eu fui até o fim. E não me arrependi.

Para alguns, a primeira parte do livro é chata. Mas eu gostei. Achei muito apropriada a forma como ele mostra o dia-a-dia, e as peculiaridades do Pi antes de mostrar-nos a sua luta pela sobrevivência. Na primeira parte, o autor nos conta sobre o menino indiano. Fala sobre as suas excêntricas e diversas crenças religiosas, seu amor pelos animais, a sua relação com a família e etc. Até que os seus pais decidem se mudar para o Canadá, para dar uma melhor condição de vida para os seus filhos. E aí a coisa fica feia. Ocorre um acidente no navio e o nosso héroi, Piscine se encontra em um bote com animais selvagens.

Uma coisa que não consegui compreender é como tinha tanto espaço em um bote para caberem aqueles animais. Afinal de contas, um tigre e uma zebra ocupam muito espaço, né? Talvez eu esteja enganada, mas um bote não é tão grande como eles mostram no filme. E enquanto estava lendo o livro não conseguia visualizar. Principalmente porque o autor descreve muita coisa dentro do bote, e eu não consegui imaginar. Mas tirando esse detalhe, o livro é bem bacana. Muito bem escrito e como eu disse, consegue te deixar enjoado. E desconfortável. Não tem como fazer uma leitura agradável de Life of Pi.

No fim do livro, o autor nos deixa uma dúvida que é cruel. Alguns acharam genial, mas eu não consegui digerir. Não gostei nada. Fiquei em uma dúvida eterna e extremamente irritada com o escritor. Não vou dar nenhum spoiler, então se você está curioso para saber, vá ler o livro! E depois me diga se gostou, ou se ficou irritada como eu.

O ponto forte do livro, para mim, foi como ele nos faz sentir as mesmas coisas que Pi. Enquanto estamos emersos no livro, aquela situação toda é real para nós. Nos angustiamos, sentimos sede, fome e tudo mais que Pi sente. E por isso que é tão desagradável. Eu tenho fobia de tubarão. Quando vou para a praia, raramente entro no mar. E quando entro, é por pura pressão familiar. Então vocês podem imaginar qual foi a minha reação enquanto lia a descrição exata de tubarões mortais rondando e até batendo a cabeça no bote de Pi. Eu parava de ler, ficava sem ar, me escondia no livro… E tudo o que vocês podem imaginar. E é exatamente isso que faz uma boa literatura. Essa sensação de ser real.

O filme.

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Assim que terminei de ler, fui para a locadora pegar o filme. E apesar de não ser em 3D, como nos cinemas, foi uma experiência incrível. Talvez eu esteja enganada, mas eu não me lembro de ler no livro um romance entre Pi e uma indiana. Isso aparece muito forte no filme. Mas tirando isso, o filme é bem fiel ao livro. Mostra tudo que lemos na primeira parte e na segunda. Felizmente no filme eles não colocaram os tubarões (Ufa!), acho que não incluíram porque seria muito caro e muito difícil de fazer. Pode ser isso. E eu sou eternamente agradecida. Todas as dúvidas que tive em relação ao bote, foram solucionadas por um bote bem grandinho, no filme. Mesmo sendo meio irreal, foi uma solução bem pensada, porque assim coube todos os animais e o Pi, direitinho.

Preciso bater palmas para o efeitos visuais. Ficou perfeito! Eu jurava que o tigre era real. E como o diretor (eu acho) disse: quase tudo no filme é falso! Hahaha. Mas é por conta dos efeitos visuais, né? Não dava para por um tigre de verdade lá sem que ele arrancasse a cabeça do ator. Um brinde à ciência e à tecnologia!

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Eu  sou grata por ter lido o livro e visto o filme. Com Life of Pi, eu percebi que nunca sobreviveria caso ocorresse algum problema com o navio. Sério. Eu iria morrer nas primeiras semanas. De jeito algum iria ser tão corajosa (ou estúpida) como o Pi. E mesmo um tigre sendo uma constante ameaça, eu não ia conseguir me controlar e iria abraçá-lo e fazer carinho porque tigres são gatinhos grandes, owwww (só que não).

Assim como o livro, o filme deixa aquela irritante pergunta no ar. Sinceramente, para mim foi isso que não fez o livro/filme ser melhor. Contar-nos aquela história toda para depois deixar uma questão daquelas no ar, foi muita covardia. De verdade. Argh. Não me conformo!

Mas tirando esse pequeno detalhe, tanto o livro quanto o filme são incríveis. E recomendo à todos que têm estomago forte. Mas olha lá hein, cuidado com os tubarões!

P.s: Existe uma polêmica muito grande desde que Yann Martel publicou o livro. Muitos dizem que foi uma plágio descarado de Max e os felinos, do escritor brasileiro Moacyr Scliar. E olha, não é só porque o autor é brasileiro que ficou por isso mesmo não, viu? Foi muita polêmica. Os jornais norte-americanos publicaram essa história, e foi decisão do Moacyr deixar por isso mesmo. Muito classy ele, não? Se vocês se interessarem, existe um vídeo dele falando a respeito dessa história.