Bullying, depressão e transtornos psicológicos – Parte II

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Até que, depois de ver tanta gente falando sobre no tumblr, e alguns filmes sobre o assunto, eu pensei por que diabos não? Pior que está não fica. Já sabem do que estou falando? É.. o famoso cutting. Então eu peguei uma tesoura e passei sobre a minha pele. Na primeira vez, doeu muito e não marcou nada, nem saiu sangue, mas depois eu passei por cima, e de novo e novo, e eu comecei a sentir uma estranha satisfação na dor. Como se trouxesse paz. Desse dia em diante eu fiz com todos os materiais possíveis, tesouras de pontas afiadas, não tão afiadas, estiletes e afins.

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Passei a levar para a escola, chegava a me cortar durante as aulas. Como? Eu ia com um moletom bem grande, então fechava os olhos e colocava os braços debaixo das mãos. Cortava. Me cortava nos intervalos, as vezes. Chegava até pedir para sair da sala, para ir me cortar. 

Meus braços já estavam cheios de machucados novos e cicatrizes. Muitas pessoas – hoje – me perguntam como eu poderia gostar da dor? Eu não sei se eu sempre gostei da dor, e muito menos se sempre vou gostar. Mas além da dor em si, o que me dava prazer era que eu podia controlar aquela sensação, era a única coisa da minha vida que eu podia controlar. Além do que, quando eu me auto-mutilava, todos aqueles pensamentos ruins, medos, dores, simplesmente desapareciam. Por isso que eu passei a me machucar quando eu estava triste ou mal. Às vezes era algo muito bobo, eu só estava chateada com uma coisa mínima… Mas não importava, eu ia lá e me cortava. Com o tempo isso acabou com a minha capacidade de chorar. Quando eu estava muito viciada, eu não conseguia chorar. Por mais que tentasse. E finalmente, eu me machucava porque achava que merecia. Porque sempre acreditei em tudo aquilo que disseram para mim. Eu acreditava que eu não era nada. Que era uma gorda. Que merecia sofrer. Que deveria sofrer.

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Quando me cortei com lâminas pela primeira vez, não tinha quase ninguém em casa, e estava de noite. Eu fechei os olhos,  dei uma ”riscadinha” e fui fundo. De repente, começou a sangrar muito! Sério, Foi muito! Eu me sentia a Carrie. Estava sujando a cama, eu não estava dando conta de segurar o sangramento, e se alguém descobrisse… Então eu limpei tudo e dormi. No dia seguinte minha melhor amiga foi lá ver o que eu tinha feito. Eu tinha chegado na carne. Mais tarde eu fui ver meu pai. Estava um calor infernal, como sempre, e eu estava de casaco. Ele perguntou o porquê o quando viu quase caiu para trás. Me levou para o hospital. Cheguei em casa, as nove da noite, com a minha mãe chorando. Uma das piores experiências possíveis. 

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Ninguém entende a dor que realmente é. Ninguém sabe o que é querer morrer. Nessa época, quando eu acordava e percebia que tinha acordado, eu chorava alguns bons minutos até me conformar e levantar da cama. Eu não queria estar viva. Eu não queria ir para a escola.

O que mais me irrita nisso tudo é que, até hoje, quando alguém vê meu braço a primeira reação que tem é perguntar o que são essas cicatrizes. E as vezes são pessoas que eu mal conheço! Aqui está a resposta para vocês. Agora que a curiosidade e falta de delicadeza de vocês está saciada, me deixem em paz. Me deixem seguir em frente. 

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No ano passado, eu conheci uma pessoa maravilhosa, que inspirou muitos textos aqui do blog. Graças à essa pessoa que eu diminui o meu ritmo de cortes, e criei este blog até! O nosso relacionamento já terminou, mas eu sou muito grata por tudo que me foi dito e feito, porque eu nunca tinha experimentado essa coisa de outra pessoa te achar linda e te aceitar como você é. Foi muito importante para mim. Mas eu ainda estava muito doente para poder estar em um relacionamento.

Quer saber o que aconteceu em seguida? Dê uma olhadinha na parte III 

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Mais amor, por favor

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A cada dia que passa eu fico mais horrorizada com essa onda de ódio que percorre a internet. Youtube, blogs, redes sociais… Está em todo canto. Haters, pra quê isso, hein? 

Sou uma youtube addicted, e tô sempre procurando novos vídeos, novos vlogs, novos talentos. E eu imagino que deva ser muito difícil ter uma ideia, escrever um roteiro, gravar, postar e depois ver comentários como ‘’sua gorda’’ ‘’você é tosca, sai daqui’’ e afins. Mensagens de ódio são mais frequentes no youtube, mas não estão presentes apenas lá. Estão em todos os lugares. Tweets preconceituosos, agressivos, que difamam outras pessoas e as machucam. Indiretas, que não tem nada de in. Acho que os haters não tem ideia de como são patéticos. Vocês podem xingar, ofender, difamar, mas fazem tudo isso via alguma coisa. São covardes e fazem isso atrás de um computador ou celular.

O que me deixa mais revoltada é quando dizem ‘’Mas eu tenho direito de expressão’’. Sim, você tem! Mas ninguém tem o direito de sair xingando as pessoas por aí, se você não sabe, isso é crime. Vá fazer algo produtivo da sua vida, opine sobre coisas que importam de verdade. Espalhe o amor ao invés do ódio. 

Acho que isso já aconteceu com todo mundo, mas agora que eu estou, de fato, vivendo isso. É revoltante e dá vontade de devolver na mesma moeda, mas não, não devemos nos rebaixar ao nível podrinho do hater. As vezes eu fico imaginando… A vida desse tipo de gente deve ser muito medíocre para irem xingar outras pessoas. Eles xingam adolescentes! Pelo amor de Deus! Eu sinceramente espero que isso seja só uma onda passageira. Que as pessoas parem de achar que o poder do anonimato na internet é infinito, e que eles podem fazer o que bem entenderem. Não, você não fala o que você quiser. Vá tomar um banho de cultura! Leia livros, veja filmes e vê se me esquece. Vê se para de incomodar as pessoas. Você só desperta desconforto nas pessoas. Isso não parece horrível, para você?

No começo eu fiquei muito incomodada, me perguntando o que eu fazia para uma pessoa ficar tão revoltada com a minha pacata existência nesse mundo. Mas agora eu não ligo mais. O problema não sou eu e nem você. O hater que é um eterno insatisfeito com a sua vida, e desconta a sua frustração de si mesmo nas outras pessoas. Então você, que sempre recebe mensagens de ódio: Não ligue. Se você incomoda uma pessoa é porque está fazendo alguma coisa da vida, pelo menos isso. E não responda com mais ódio. Dê amor de volta! #maisamorporfavor

Titia Shame e a polêmica dos Looks do Dia

Essa semana rolou o Youpix, o maior festival de internet do Brasil, e uma das maiores atrações foi a Titia Shame, que acabou revelando a sua face. Para quem não conhece, a Shame é quem faz o blog Shame On You, Blogueira, onde detona blogueiras de todo o país. Ela que bombou a hashtag #blogueirasangrenta entre outras. No seu blog, ela sempre critica os famosos looks do dia, os jabás, os publiposts, e etc. Nesse festival, ela conversou com a Julia Petit, do blog Petiscos, e, fiquei bastante surpresa, confesso.

No seu blog, ela sempre é agressiva, tem argumentos fortes, e ataca todo e qualquer errinho bobo que uma blogueira mais conhecida cometeu. E quando ela estava ali, olhando para o público, sem tela para esconder o rosto… Os argumentos agressivos desapareceram. Oh, really? Sinceramente, é muito fácil criar um personagem, e sair criticando blogueiras famosas que ganham uma boa grana para usar uma pulseira bapho. O difícil é conseguir chegar lá. Quantos blogs de moda e afins existem hoje, só no Brasil? Entendam meu ponto de vista, eu não concordo com essas blogueiras que enganam as suas leitoras, mas também não concordo em um blog que só xinga e agride as pessoas. Acho que ao fazer isso, ela se rebaixa ao nível podrinho dessas que recebem um produto, e o ”vendem” no blog como se fosse dica de amiga.

Para quem não sabe, a mesma titia shame, que criou #blogueirasangrenta, disse no twitter, há algum tempo atrás, que queria um casaco de pele. Huh? É sacanagem enganar o leitor, muita sacanagem, mas pelo amor né gente, os leitores também precisam ter um mínimo de senso crítico. É igual revista, não é porque revista x colocou um produto ali e disse que é lindo, maravilhoso e fabuloso que você vai comprar. As vezes é lindo e maravilhoso para a pele/cabelo da blogueira, mas seja uma porcaria para você. Acho que as blogueiras precisam sim, ser honestas e ter o mínimo de ética, mas as leitoras tem que ter noção também, ter consciência, para não se deixarem ser manipuladas tão facilmente.

O problema do Shame On You, é a agressão. Imagine você, que tem um blog de moda muito acessado, que você ralou a bundinha para conseguir chegar lá, e está toda feliz. Um dia, você briga com o namorado/pai/mãe/cachorro e comete um erro bobo de gramática em algum post, ok, tudo bem, não é nada. Mas algumas horas depois tem um print do erro no blog da titia, te chamando de burra, analfabeta, isso e aquilo. Nada agradável, não é? Isso é cyberbullying. Creio que tanto a blogueira do Shame, quanto a do blog de moda mais acessado do Brasil, tem que pensar no efeito que tal post pode provocar nas pessoas que o lêem. É só se dar ao respeito e respeitar o outro. Simples, não?

Agora, sobre o Look do Dia… Eu acho meio maluco o quanto as pessoas passaram a odiar. Eu já fiz um Look do Dia aqui no blog, e não tenho a menor vergonha disso. E sim, quando eu quiser vou fazer outro! Não sou obrigada a concordar com a opinião de sei lá quem, e nem vocês, leitores. Abram o olho gente, sejam honestos com vocês mesmos. Pensem, eu REALMENTE gosto disso? Ou eu gosto porque vi naquela revista/blog? Calma, espera aí, eu odeio isso? Ou tô indo na onda dos haters?

Acho o Look do Dia legal porque você vê o que a pessoa usa no dia-a-dia mesmo, você passa a conhecer o guarda-roupa da pessoa, vê as combinações que ela faz e etc. O chato é quando todos os Looks passam a ser ”vendidos” e a blogueira use Patrícia Bolandi todos os dias. Aí fica ruim mesmo, fica podre mesmo. O que eu realmente acho é, se você não gosta de tal revista, você não compra. Então façam isso com os blogs! Se você não gosta da blogueira, acha ela podrinha, vê que ela mente sobre os publiposts e etc, não leia o blog da criatura! Selecione o conteúdo que você quer ver, e pronto. Viver assim, é muito melhor do que sair por aí falando mal dos outros, acredite em mim!

Beijos para os haters,

Ana.