Bullying, depressão e transtornos psicológicos – Parte I

Eu pensei muito antes de escrever o que estou escrevendo. Achei que não conseguiria. Achei que não deveria. Mas mesmo que a resposta deste post chegue à escola, eu sei que vou ter sido sincera com todos vocês. Não sejam muito duros.

Breath in, breath out, lá vai.

Eu nunca fui de muitos amigos. Desde pequena eu tinha dificuldade para me envolver socialmente. E quando me viciei nos livros (aka Harry Potter) me tornei a menina esquisita de óculos que só ficava lendo. Os intervalos passaram a ser um inferno para mim, a prova concreta de que naquele lugar, ninguém gostava mesmo de mim. Eu tentava ser engraçadinha, chamar a atenção, me fazer de burra, para as pessoas gostarem de mim, mas elas passaram a me odiar por conta disso.

Então mudei de escola, e lá tudo só tomou dimensões maiores. Eu já tinha 13 anos e fiquei mais sozinha do que nunca. Só que agora, eu não só ficava sozinha, como o grupo ”das meninas populares” passou a me perseguir. Eu ainda tento entender o porquê. Mas por algum motivo, elas me escolheram. Devem ter sentido a minha fraqueza e o meu medo de longe. Logo influenciaram os meninos a fazer o mesmo. E começou o meu pequeno inferno. Os meninos me batiam, me xingavam, jogavam coisas em mim, riam de mim e etc. E as meninas batiam às vezes, mas o predominante era a agressão verbal.

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Mas na sétima série eu consegui fazer algumas amizades, e elas me salvaram durante um ataque das ”populares”. Eu nunca me senti tão grata em toda a minha vida. Mas, infelizmente, essa amizade só durou um ano, porque no ano seguinte a escola mudou de endereço e as minhas amigas mudaram de colégio. Mas os meninos e as populares não.

Nem preciso te contar, né? A oitava série foi o Inferno na Terra. Sem amigas, sem ninguém para conversar, sem ninguém para me defender. Eu estava sozinha. Com os meus piores inimigos. Acho que foi nesse ano que eu fui sumindo. Comecei a sentar bem no fundo, usar moletons grandes e fingir que eu não existia. Nos intervalos eu ia para uma parte escondida da escola, para ninguém ver que eu estava sozinha.

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Toda vez que os meninos (eles eram piores que as meninas) diziam alguma coisa cruel, eu chorava e ia correndo para a sala do coordenador, porque eu jurava para mim mesma que aquilo não podia ficar daquele jeito. Mas nada era feito. E por conta de todos os ”gorda” e ”horrorosa” proferida por eles, comecei a acreditar e a fazer algo para mudar aquilo. Me punia com doses de jejum. Ou seja: Não comia.

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Não sempre. Porque, as vezes, eu tinha o que se dá o nome de compulsão. Mas não é aquela compulsão de quando você está na tpm, é uma compulsão doentia. E como eu comia mais do que meu estômago aguentava, as vezes, eu acabava pondo tudo para fora voluntariamente. Isso é chamado de Anorexia Nervosa.

Quando cheguei ao primeiro ano, esqueci todas aquelas coisas ruins e esperei pelo melhor, porque minha melhor amiga estava voltando e eu esperava encontrar pessoas legais, caras bonitos e toda aquela coisa. Mas não foi bem assim. A minha melhor amiga ficou em uma sala diferente e não foi possível trocar.  E eu? Fiquei na sala das populares, é claro. Mas pelo menos os meninos não estavam lá. Eu fiquei sozinha o ano todo. Como sempre. Mas pelo menos o intervalo não era mais um inferno para mim. Naquele ano, as meninas não me atacaram tanto como antes. Elas só me ignoravam, e as vezes, me provocavam, falando alguma coisa idiota sobre mim em voz alta. E a cada vez que aquilo se prolongava, eu ficava mais triste, e mais afundada em mim.

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Quer saber o que aconteceu em seguida? Dê uma olhadinha na Parte II 

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It Gets Better

Oi, gente! Dando um limpa nos meus favoritos eu achei um vídeo que me toca muito. Vocês conhecem a campanha It Gets Better? É contra o bullying e a homofobia, e pessoas importantes fazem vídeos compartilhando as suas histórias. O que eu mais gosto é o da Pixar, que é o que eu acho mais fofo.

Poucas pessoas sabem, mas eu sofri bullying praticamente a vida toda. E sinceramente, a minha história não é aquela que todos conhecemos. Eu não era gorda. Fisicamente, não tinha nada de errado comigo. Mas eu sempre fui muito quieta, usava óculos e ficava no cantinho lendo meus livros, e os meus colegas começaram a me perseguir por conta disso.

Acho que as pessoas precisam entender O QUE é bullying. É uma coisa tão comentada, mas ninguém sabe o que é. Só porque alguém te deu um apelido não significa que é bullying. Quando se transforma numa perseguição e você não tem como se defender, porque é um grupo contra você, aí sim, você pode dizer que é bullying.

Eu passei anos isolada com as mesmas perseguições, tendo que aguentar as provocações e até mesmo as agressões físicas. E agora que acabou, eu estou tendo que lidar com as marcas que ficaram para trás. E como as pessoas do vídeo, eu já pensei eu desistir, eu fiz muitas coisas que ainda não me sinto confortável em expor aqui. Que aliás, é assunto no meu livro.

Então, para todas as pessoas que estão passando por isso agora, tentem agarrar firme a alguma coisa. Uma paixão. Seja ela ler, ver filmes, praticar esportes, ou o que for. Mas não desista, porque cedo ou tarde isso para.

Agora, chega de conversa fiada e vamos ao vídeo!

Espero ter ajudado! Se tiver alguma leitora passando por alguma dificuldade parecida e quiser conversar é só me mandar um email, o endereço está no contato! <3