Feliz dia do escritor!

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Esse ano é o primeiro em quê me considero uma escritora ”de verdade”. Então por mais esse motivo, o dia de hoje não poderia passar em branco. Com alguns dos meus textos sendo publicados esse ano, a escrita está presente na minha vida mais do que nunca. Eu confesso que estou me sentindo muito feliz. Confiante. Olhando para frente e acreditando no meu potencial. O curso de escrita criativa que estou fazendo também ajuda muito.

A questão é: Tem esse tabu de que você só pode ser considerado ”escritor” quando tiver alguma coisa publicada. Eu não concordo com isso. Porque muitos dos maiores escritores que já tivemos morreram sem ser publicados, e ainda assim, eles eram e sempre foram escritores. É como se tivesse um status em volta da escrita. Alguns querem parecer cults, alguns postam livros complicados no Instagram, mas nunca leram um linha. É complicado, difícil e muito irritante para quem está querendo entrar nesse mundo, mas o encantamento que sentimos ao ler um livro bom, ou conseguir escrever aquele capítulo, nunca nos abandona.

Esses são os escritores. Aqueles que sonham não com milhões, mas que escrevem porque gostam. Porque amam. Porque não conseguem viver sem vomitar algumas palavras. Sim, escrever é vomitar. Não é algo bonitinho. Os escritores sofrem para escrever. Eles precisam cutucar a ferida. É como se tivessem enfiando o dedo na garganta para toda aquela coisa sair. Pelas letras, sempre por elas.

Então parabéns para nós que vomitamos palavras. Que a força nunca nos falte. Que as palavras nos livrem do Word em branco. E que nunca desistamos desse sonho que vive tão forte dentro da gente.

A mulher ideal

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Em uma conversa de bar regada à álcool, quatro amigos conversavam sobre a vida. E sobre as mulheres.

“Como seria a mulher ideal para você?”

“Bem gostosa. Inteligente. Sem TPM. De cabeça aberta. E com um emprego legal.“

“Cara, se você arrumar uma mulher bem gostosa você não acha que ela pode trocar essa sua barriguinha de cerveja por um tanquinho? Não dá.”

“Então como é a sua mulher ideal?”

“Ela seria bonita, mas não aquela beleza que todos ficam aos seus pés. Uma beleza mais normal. Teria uma conversa boa. Gostaria dos meus filmes, porque vocês sabem, né? Tô cansado dessas mulheres que dormem no meio do meu filme favorito. Ela seria vaidosa na medida certa. E tomaria umas cervejas comigo.”

“Pera aí, você tá querendo um homem então? Porque ela teria que gostar dos seus filmes, beber cerveja que nem a gente, e ser mais ou menos vaidosa. Pô!”

“Vocês são todos babacas. A minha mulher ideal seria uma mulher independente. Que amasse seu trabalho e a sua vida antes de me amar. Uma mulher vaidosa, mas sem exageros. Que gostasse de livros e de conhecimento. Que cuidasse de si mesma e fosse louca por mim. Mesmo eu não sendo um David Beckham da vida. Acho que é isso.”

“Só o Edu falou que a mulher ideal não teria TPM. Vocês não querem isso também não? Uma mulher sem essas neuroses seria muito melhor, não?”

“Olha, eu gostaria muito de uma mulher sem TPM. Mas sei lá, acho meio improvável. E a TPM tem as suas vantagens.”

“O que?! Que vantagens? Ela chorando com propaganda de eletrônicos e um minuto depois virando o Huck? Sei não, viu…”

“Elas ficam bem loucas nesse período. Ficam tristes por qualquer coisa e depois extremamente irritadas. Mas elas precisam de nós na TPM, sabe? Precisam do nosso ombro para chorarem sem se sentirem tão sozinhas. Precisam que entendamos quando ficam irritadas. Precisam até de um pouco de carinho, se não for demais. E assim vamos acalmando a fera. Pelo menos foi assim com as minhas mulheres.”

As suas mulheres. Falando assim até parece que você é pegador, né?”

“Olha, vou te falar que eu tenho tesão por essa mulheres meio diferentes. Com tatuagem, piercing… Parece meio juvenil, mas essa coisa não convencional me atrai para caralho. Não sei se essa seria a minha mulher ideal, mas…”

“Eu gosto de mulheres tatuadas. Mas piercing? Aí não. É coisa de quem não saiu da adolescência. Sem falar que eu tenho medo de machucá-la e acabo não aproveitando direito.”

“Nada contra as tatuadas, mas gosto mais das que não tem. Acho que o corpo feminino é bonito demais para estraga-lo com rabiscos e desenhos. Prefiro sem nada mesmo.”

“Eu gosto das confiantes. Daquelas que ganham uns quilinhos e ao invés de surtarem, se acham mais gostosas ainda. Penso que quando a mulher se acha gostosa, ela fica gostosa. Confiança é sexy.”

“Concordo. Acho que é isso que tá faltando. Elas andam tão insatisfeitas com o seu corpo, e não tem nada de errado com ele! Elas são lindas e não enxergam isso. E por não enxergarem a gente passa a não enxergar também. Isso fez sentido?”

“Eu as acho lindas quando estão desarrumadas. Com aquele coque mal feito, olho meio preto da noite passada e uma camiseta gigante. E só. É muito sexy. Mais sexy do que qualquer lingerie, qualquer vestido vermelho.”

“Não dispenso nada disso, mas também acho que ficam extremamente charmosas.”

“Então qual é o nosso veredicto? Como é a mulher ideal?”

“Confiante.”

“Tatuada.”

“Sem tatuagem.”

“Independente.”

“Inteligente.”

“Acho que não estamos chegando em lugar nenhum.”

“Não sei se vou encontrar a mulher ideal, ou se ela vai ficar guardada nos meus sonhos. Mas se as mulheres pegassem 1% dessas características…”

“Mas aí elas não seriam elas mesmas.”

“E nem seriam confiantes.”

“Porra!”

“Acho que o verdadeiro veredicto é que não existe mulher ideal. Porque se existisse, ela estaria tentando nos agradar e essa atitude não demonstra confiança.”

“Então vamos beber às mulheres imperfeitas.”

“Confiantes.”

“Loucas.”

“Meio Huck.”

“Tatuadas.”

“Não tatuadas.”

“Mulheres, enfim.”

Sobre perfeição e futuros amores

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Enquanto andava na rua, o vento gelado cortava o meu rosto e sacos de plástico dançavam no ar. Eu me sentia dentro do filme American Beauty, um dos meus favoritos. E enquanto o saco flutuava pelo ar, zombando de todos nós, eu percebi que me sentia bem. Sim, eu me sentia bem. E fazia muito tempo que não me sentia assim.

O vento gelado em meu rosto me lembrava das minhas viagens à cidades grandes. E com o vento queimando minhas bochechas, me sentia em algum grande centro comercial. Me sentia em São Paulo ou no Rio. A procura de barzinhos e talvez, um boêmio para me acompanhar na madrugada a fora.

Com o simples ato de o vento soprar meus cabelos, me lembrei de que meu coração, esse músculo maldito, já estava curado. E pronto para outra. E que, além disso, estava começando a ficar quentinho novamente.

Minha imaginação fértil, começava a me imaginar daqui à uns anos. Talvez com alguém do meu lado, quem sabe? Gosto de ter uma boa companhia ao meu lado. Não qualquer uma, mas quando a pessoa certa aparece é sempre aquela explosão de foguetes na cabeça da gente. É bom.

E logo eu, que sempre fui a menina tímida que se escondia pelos cantos, passei a me mostrar mais. E com o tempo acabei me acostumando a ser elogiada. Criticada. E até mesmo ser chamada de mulher. Mas a menina insegura que existia dentro de mim, sempre se pronunciava. As vezes. Agora acho que ela está sumindo. Estou engordando, e feliz por isso. Não tenho mais corpo de menina, e ver isso me deixa espantada. E feliz. Como brigadeiro sem culpa. Vou à academia, sim, mas sem pressão. Só quero ser saudável. E felicidade para mim significa paz. É isso que procuro, e que sempre procurei. Ainda procuro alguém que me traga paz no olhar.

Olhar meu, míope. Além dos meus peitos pequenos e traumas que carrego comigo. Eu não sou perfeita, sou real. E isso já está de bom tamanho. Não procuro a perfeição. Nem em mim nem em ninguém. Sei que ela é impossível de ser alcançada, e se tentarmos busca-la, nos tornamos mais miseráveis ainda. Ser real é a melhor coisa que uma pessoa pode ser.

Estou feliz comigo mesma. Com as minhas pernas compridas que sempre odiei. Com as pequenas marcas de espinha que sobraram da adolescência. Até mesmo com as minhas estrias. Eu sou real, não perfeita. E se você quer saber mesmo, desde que decidi ser assim, minha bunda dobrou de tamanho, assim como meus peitos. E mesmo, as vezes, ficando chateada quando percebo que não sou tão magra quanto costumava ser, todas as pessoas dizem que pareço muito melhor. Com cara de saúde. Sem aquele rosto afundado e meio encovado que eu tinha. E então toda aquela besteira sai da minha cabeça. Nós somos mulheres. E mulheres tem curvas. Então vamos nos desapegar das garotinhas magricelas que ainda vem nos visitar de vez em quando, e celebrar nossos corpos cheio de curvas e estradas. Cheios de beleza nos mínimos detalhes. Vamos celebrar os nossos defeitos que nos tornam tão bonitas, e tão… Nós. Vamos ficar felizes pelo nosso gosto musical ser maravilhoso e por sermos pessoas inteligentes. Vamos parar de pensar em ‘’peso ideal’’ e toda essa besteira que as revistas femininas pregam. Nós temos uma beleza real. E isso nos torna mais bonita do que qualquer modelo que tem que vomitar o seu almoço para permanecer daquele jeito.

Um dia, você e eu iremos encontrar alguém de verdade também. Alguém sem máscaras, e que seja simplesmente ela mesma. Iremos encontrar alguém que nos elogie, mesmo de manhã. Mesmo que não sejamos a capa da Vogue. Mesmo que nossa maquiagem esteja toda borrada. E ele ainda vai nos achar linda, de verdade.

Ele vai tirar o seu óculos, e mesmo sem enxergar nada, ele vai ser o borrão mais lindo que você já viu. E você vai se sentir transbordar. Não esqueça nunca, você irá transbordar e não se completar.

E ele vai fazer com que você se sinta a mulher mais linda do mundo. Mais ainda, porque, convenhamos, a sua autoestima já está ótima, né? Somos reais e não perfeitas. Mas somos lindas exatamente por isso.

O pior dia do ano

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As 6 da manhã de uma Segunda-feira o despertador tocou. Aquele mau-humor matinal, típico da segunda-feira começou a me inundar, e eu só conseguia pensar nas poucas horas em que eu havia dormido. Eu já disse que odeio segundas? Pois bem. Me levantei e mesmo me arrastando, fui fazer os meus deveres de manhã. Comer, lavar o rosto, aplicar protetor solar, e talvez, um pouco de maquiagem. Tudo bem, tudo certo. Mas só tem Nescau. Como pode?! Nescau é para fazer brigadeiro, isso não está certo. O uso de qualquer forma. Depois de bem alimentada, lá vou eu para o banheiro. WAIT, cadê meu protetor solar favorito? Aquele que deixa a pele sequinha? E previne acne? Cadê? Meu Deus, eu vou é ter um infarto. Toddy e meu protetor solar é coisa demais para o meu coração. Pergunta para uma mãe sonolenta. Revira o quarto devidamente bagunçado de cabeça para baixo. 6:30. Caramba, cadê esse maldito? Revira todas as bolsas. Nada. Até que desisto, e volto ao banheiro para me arrumar bem depressa. E encontro o maldito protetor na minha necessaire de maquiagem. Filho da….

Vida nova, né? Vamos para a escola, mexer as perninhas e sentir o vento frio cortar a minha pele. Só que não dá. Cacete, já são 6:45. Coloca o óculos de sol, e vai correndo para a escola. Meu pai sempre disse que eu parecia uma gazela quando eu corria, devido as minhas pernas longas. Maldito. Corre, corre, corre. Cheguei à praça, que vitoria. Tô pertinho agora. Até que chega um homem, provavelmente mendigo à minha frente com uma atitude violenta. Me lembro que além de estar segurando o Iphone, estou com um óculos caro. Droga. Uma imagem de assalto terminado em sangue vem a minha mente. Espera não, estupro. Corro desesperada com medo da minha foto sair no próximo jornal.

Enquanto corro e atravesso a rua, avisto mais um homem suspeito. E ele vem na minha direção. E me segue. O QUE É QUE TEM DE ERRADO COM ESSE DIA? Guarda o Iphone. Reflete se eles vão saber se o óculos é original. Tem tanta cópia por aí né, como eles vão saber? Ana, para de pensar, corre menina, você não quer acabar morta no mato, quer? Passos rápidos. Olhares desconfiados. Acho que a minha mãe deve ter me passado esse medo de ser estuprada/assassinada por cada pessoa que passa pela minha frente. Valeu, mãe.

Corre pelas ruas até chegar em um lugar com mais pessoas. Caramba, eu preciso chegar a tempo. Eu preciso. Ponho o pé na escola. Cheguei. Um passo seguido de outro, por uma pessoa qualquer, em um lugar cheio de faces. Entra na sala. Se lembra que tinha trabalho de matemática.

Puta que pariu.

Eu escolho os escritores

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Cansei de pessoas erradas. Cansei de escolher o caminho ruim. Chega. Dessa vez é pra valer. Agora eu só vou aceitar a companhia conjugal de um escritor.

Um escritor, vai entender quando eu quiser passar horas e horas na livraria. Ele não vai achar estranho o meu vício anormal em cheirar livros novos. E vai achar adorável a minha mania de ir sentindo com a ponta dos dedos os livros da livraria.

Um escritor não se importaria com o meu all star velho. Afinal de contas, é bem melhor gastar todo o meu dinheiro com livros. Aliás, ele mesmo também teria um all star velho. E sujo. Um escritor entenderia o meu silêncio após acabar um livro. E iria apreciar as longas horas que passaríamos lendo, cada um sentado na sua poltrona, mergulhado em um mundo novo.

Um escritor me ajudaria nos meus momentos de não-conseguir-escrever. E ouviria musica boa comigo. Como Radiohead. Ou Arctic Monkeys. Ele saberia que quando uma série termina, as lágrimas são quase obrigatórias. E sempre me presentearia com livros.

Eu quero um escritor porque cansei de pessoas que não me compreendem. Acham meus silêncios absurdos. E sempre acham que estou exagerando quando fico em luto após um livro acabar. Ou uma série. Ou até mesmo um conto. Sim, escritores são sensíveis.

Mas o mais importante de tudo: Escritores são intensos. Porque sabem que para ter uma boa história é preciso se entregar. E levam isso para a vida. E sabe o que mais? Escritores são sexy. Não uma beleza Zac Efron. Longe disso. Eles não tem bronzeado, nem aquela beleza óbvia. Escritores são desleixados. Tem um gosto de café amargo na boca e uma barba por fazer. Usam óculos. Não usam. Tem o cabelo bagunçado. E tem uma inteligência que é muito difícil de resistir.

Escritores são reais. Sabem sentir. Nos entendem. E também gostam mais de observar do que participar. Como eu. Escritores são tudo o que uma garota precisa. Agora eu só preciso achar o meu.

Todo mundo precisa de alguém às vezes

Oi gente, como está sendo a semana de vocês? A Ana pede mil desculpas por estar sumida, acontece que ela está passando muito mal, devido a um remédio que ela está tomando, mas logo estará de volta.

Sempre li aquelas frases de poetas dizendo que todo mundo precisa de alguém. Eu, você e a senhora ali da esquina. Não venha resmungar para mim dizendo que se cansou e quer ficar trancado no quarto compondo músicas que nunca serão tocadas ou fazendo coisas que não acrescentarão no seu ser. Todo mundo precisa de alguém!

O quarto escuro ficaria mais colorido com o seu outro eu, com a sua outra metade. Mesmo que este seja seu amigo, namorado ou esposo. A verdade é que o medo de abrir o coração e gritar para o mundo que é necessário a companhia de alguém enchem os pulmões, não de ar, mas de medo. Medo de não ser correspondido, medo da decepção, da desilusão que corrói o passado de uma multidão. Não irei negar e repito de novo, pois pode ser a coisa mais difícil deste mundo: dói abrir a alma.

Não há garantias que ela não será roubada, esquartejada e depois entregue a ti, sem saber ao menos por onde começar a restaurar. Mas também pode ser a coisa mais linda do além, lembre-se: todo mundo precisa de alguém! E tudo fica mais fácil, mais rápido, mais divertido, menos estressante… Ah, como é aliviante apenas imaginar alguém do seu lado pra dividir um ombro ou uma risada. A vida é uma só, minha cara! Se solte, grite e procure como eu estou fazendo agora. Porque os turbilhões são grandes demais para serem carregados em um ombro só.

Todos nós precisamos de alguém.